domingo, 26 de fevereiro de 2012
Feitiços literários
Há muitos anos, quando Harry Potter era apenas um best-seller fora do Brasil e pouquíssimos adolescentes conheciam a saga, eu costumava tirar férias da minha rotina para me transportar para Hogwarts. Exatamente. Ao invés de prestar atenção nas aulas de Matemática (meu eterno karma escolar) ou História (minha matéria favorita), eu me recolhia, lá no fundo da sala, e mergulhava no fantástico mundo de J.K. Rowling.
A diferença é que, ao contrário do que pensavam meus colegas de turma, eu não ficava #foreveralone no fundão. Aliás, eu estava era muito bem acompanhada por Harry, Hermione e Rony. Gente muito mais agradável do que meus graciosos amiguinhos do colégio, que jamais compreenderam minha devoção a Madonna, aos 11 anos de idade, e muito menos a voracidade das minhas leituras.
Para ser sincera, a minha "sede" de Harry Potter era meio louca mesmo. Além de ignorar as aulas, eu abdicava das refeições e até do sono. A única coisa que conseguia roubar minha atenção era o treino da equipe de basquete, outra grande paixão da minha vida. O resto era resto, podia ficar para depois.
E a coisa ia ficando pior a cada livro, pois à medida que uma nova história era lançada, o número de páginas praticamente crescia em progressão aritmética. Isso, claro, me deixava ainda mais eufórica, pois significava mais tempo "viajando" em Hogwarts e menos tempo vivendo o mundo real. Era delicioso esquecer dos "trouxas" e viver exclusivamente para os bruxos ingleses.
(In)felizmente, em 2004, li "A Ordem da Fênix" e encerrei o ciclo de leitura delicioso da minha adolescência. A essa altura, HP já tinha se tornado mais do que uma febre, era uma verdadeira obsessão, entre crianças e teens do mundo inteiro, sobretudo, por causa dos filmes. Acho que isso foi me fazendo perder o interesse... ficou tudo muito doentio. E o pior é que a maioria dos HP maníacos jamais leram os livros. O que foi suficiente para eu cansar e me desligar completamente de Hogwarts.
Não sei por que cargas d'água eu resolvi relembrar meus tempos de HP aqui. Mas já que falei, vou aproveitar para ressaltar o profundo prazer que a leitura pode nos dar, principalmente, quando estamos nessa fase de construção das nossas bases. Que delícia lembrar dos efeitos que os livros me causam... da minha entrega a cada um, das risadas e lágrimas que eles já me roubaram, dos ensinamentos e reflexões (e feitiços, claro) que extraí de páginas e mais páginas.
Quando li "A Ordem...", minha sede literária já me levava por novos caminhos, sob a égide de outros "feiticeiros": Clarice Lispector, Machado de Assis, Mário Quintana, Jorge Amado. Troquei varinhas por águas vivas, castelos pelas ruas do Cosme Velho, feitiços por poemas, bruxos por capitães das areias. A única coisa que não mudou foi o deslumbramento pelas palavras.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Pra Ser Sincero
(Marisa Monte)
Eu era tão feliz
E não sabia, amor
Fiz tudo que eu quis
Confesso a minha dor...
E era tão real
Que eu só fazia fantasia
E não fazia mal...
E agora é tanto amor
Me abrace como foi
Te adoro e você vem comigo
Aonde quer que eu vôe...
E o que passou, calou
E o que virá, que dirá
E só ao seu lado
Seu telhado
Me faz feliz de novo...
O tempo vai passar
E tudo vai entrar
No jeito certo
De nós dois...
As coisas são assim
E se será, que será
Pra ser sincero
Meu remédio é
Te amar, te amar...
Não pense, por favor
Que eu não sei dizer
Que é amor tudo
O que eu sinto
Longe de você...
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Long live the queen
Obrigada por tudo, Madonna. Parabéns e vida longa à rainha de todas as rainhas!
"I'm Madonna. Often imitated, but NEVER duplicated."
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
As centenárias que driblam a morte
A primeira vez que estive num velório foi há nove anos, quando um infarto fulminante tirou o meu avô paterno desta dimensão. Até então, eu nunca tinha posto os pés num cemitério, tampouco imaginava a dor de perder alguém querido. Parece clichê, mas foi esse episódio que me fez perceber, aos 13 anos, a transitoriedade da vida. E, também, a importância de contar com boas carpideiras para “encomendar a alma” dos falecidos.
Para quem não sabe, carpideiras são aquelas senhoras cujo ofício é chorar pelos mortos nos velórios. Elas são pagas para rezar e entoar cantos que facilitem, por assim dizer, a passagem das almas para o outro “mundo”. É exatamente o que fazem Socorro (Marieta Severo) e Zaninha (Andréa Beltrão) na peça As Centenárias, com direção de Aderbal Freire Filho e texto de Newton Moreno. O espetáculo passou pelo Recife (PE) durante o último final de semana e lotou o Teatro da UFPE.
O termo “carpir” talvez soe mal aos ouvidos dos jovens, mas foi muito comum no sertão nordestino, sobretudo, no início do século passado. Poucos são os que insistem em manter viva a tradição nos funerais. Meu avô, nascido e falecido no sertão do Pajeú, me deu o privilégio de derramar lágrimas ao lado de algumas carpideiras. Já “As Centenárias” me fizeram chorar de rir com a irreverência e versatilidade das atrizes no palco. [Leia mais aqui]
Texto originalmente publicado no Motim.org
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
Casamento nas estrelas
Todo mundo sabe que eu sou fã alucinada da saga Star Wars e uma geek de carteirinha. Estava passeando pela rede, quando encontrei "sugestões" de casamentos com temáticas nerds. Uma das opções (a melhor de todas, na minha opinião, kkk) foi o matrimônio inspirado em SW, claro. Veja que lindo:
Se você quiser ver mais ideias, também há casamentos inspirados em Senhor dos Anéis, Super Mário, Final Fantasy e super-heróis. É só dar uma olhada aqui.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
O livreiro Garnier
[...]
Pessoalmente, que proveito deram a esse homem as suas labutações? O gosto do trabalho, um gosto que se transformou em pena, porque no dia em que devera libertar-se dele, não pôde mais; o instrumento da riqueza era também o do castigo. Esta é uma das misericórdias da Divina Natureza. Não importa: laboremus. Valha sequer a memória, ainda que perdida nas páginas dos dicionários biográficos. Perdure a notícia, ao menos, de alguém que neste país ocupou a vida inteira em criar uma indústria liberal, ganhar alguns milhares de contos de réis, para ir afinal dormir em sete palmos de uma sepultura perpétua. Perpétua!
Machado de Assis
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Carpideiras
Já faz um tempo que não escrevo sobre teatro por aqui. Acho que um dos motivos é a falta de espetáculos interessantes na cidade, coisa rara de acontecer no primeiro semestre. A boa notícia é que Recife está na rota de muitas montagens bacanas, nos próximos meses. Inclusive, hoje entrevistei a diva Marieta Severo, que chega com "As Centenárias", neste fim de semana, lá no Teatro da UFPE.
Vou escrever um post, assim que assistir ao espetáculo. Estou curiosíssima. O texto é do pernambucano Newton Moreno e o elenco é formado por Marieta e Andréa Beltrão. "As Centenárias" conta a história de duas velhas carpideiras (aquelas senhoras que são pagas para chorar em velórios), Zaninha e Socorro, que passam a vida driblando a morte.
Pelo visto, acho que todo mundo vai chorar de rir com essa dupla.
Vou escrever um post, assim que assistir ao espetáculo. Estou curiosíssima. O texto é do pernambucano Newton Moreno e o elenco é formado por Marieta e Andréa Beltrão. "As Centenárias" conta a história de duas velhas carpideiras (aquelas senhoras que são pagas para chorar em velórios), Zaninha e Socorro, que passam a vida driblando a morte.
Pelo visto, acho que todo mundo vai chorar de rir com essa dupla.
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| Zaninha (Andréa Beltrão) e Socorro (Marieta Severo) |
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